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Explicações reducionistas no discurso científico sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade desde 1950 (Fabíola Stolf Brzozowski)

AUTORA Fabíola Stolf Brzozowski ORIENTADORA Professora Doutora Sandra Caponi PROGRAMA Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, da Universidade Federal de Santa Catarina, para a obtenção do título de Doutora em Saúde Coletiva. Linha de pesquisa: Epistemologia e saúde. LOCAL E DATA Florianópolis, SC – 2013 Dedicatória Para José e Marisa Agradecimentos Gostaria de agradecer, primeiramente, à minha orientadora, Sandra Caponi, pelo apoio, orientação e pela amizade ao longo desses anos. É uma honra e um privilégio trabalhar com você. Espero continuar essa parceria por muitos outros anos. Agradeço aos membros da banca, que se disponibilizaram a ler este trabalho e aceitaram contribuir com ele. Ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e aos professores que fizeram parte dessa tese, especialmente àqueles que me ajudaram no período em que minha orientadora esteve fora do país. Às minhas amigas Rita, Ana, Giovana e Silvia, pelo carin...

A Complexidade da Personalidade no Tratamento da Dependência Química

 A dependência química é um fenômeno multifacetado, cuja abordagem terapêutica exige considerações que vão além dos aspectos biológicos e sociais, abrangendo também as particularidades da personalidade. Essas características, muitas vezes intrínsecas e profundamente arraigadas, podem complicar significativamente o engajamento do paciente no tratamento.

Entre os desafios mais comuns está a dificuldade de certos pacientes em se implicarem verdadeiramente no processo terapêutico. Isso pode ser observado em personalidades mais dissimulativas, que tendem a evitar um confronto honesto com suas condições e responsabilidades no tratamento. Para esses indivíduos, o compromisso com o tratamento muitas vezes é intermitente e condicionado, o que dificulta o alcance de resultados sustentáveis.

Além disso, a questão da fissura, ou desejo intenso pela substância, está presente em praticamente todos os casos de dependência química. Embora fatores externos como frustrações, estresse e dificuldades na vida cotidiana desempenhem um papel significativo nas recaídas, é importante notar que, em alguns pacientes, a busca pela realização do desejo e a ausência de culpa pelo uso se tornam mais evidentes. Essa falta de elaboração emocional e crítica sobre o uso da substância frequentemente impede o progresso terapêutico.

Outro aspecto crucial no manejo desses casos é a capacidade do paciente de elaborar sua posição no mundo, bem como suas perspectivas e projetos de vida. Segundo Becker (2008), o desenvolvimento de um senso de propósito e significado é fundamental para a superação de padrões destrutivos, incluindo os associados à dependência química. Quando o paciente demonstra uma visão limitada ou confusa de seu futuro, as intervenções terapêuticas se tornam mais desafiadoras.

No que diz respeito às características de personalidade, é possível identificar dois perfis que frequentemente demandam atenção nos serviços de saúde para dependência química. O primeiro é marcado por traços egocêntricos, onde o indivíduo prioriza exclusivamente seus interesses, muitas vezes resistindo às orientações clínicas e utilizando o serviço de forma instrumental. O segundo perfil apresenta características histriônicas, evidenciando um comportamento demandante e uma busca constante por atenção. Esses pacientes frequentemente solicitam trocas de medicação e geram uma sobrecarga no sistema de atendimento, evidenciando sua dificuldade em aceitar limites e conduzir um tratamento com autonomia e maturidade.

É essencial, portanto, que o manejo desses casos inclua estratégias terapêuticas que integrem tanto a abordagem clínica quanto a psicoeducação sobre os aspectos da personalidade. Como aponta Miller (2002), a motivação para a mudança é uma construção complexa que exige não apenas intervenção direta, mas também a criação de um ambiente que favoreça a autorreflexão e o reconhecimento de responsabilidades. Assim, ao trabalhar a personalidade do paciente em conjunto com os fatores sociais e biológicos, o tratamento da dependência química pode alcançar uma maior eficácia e sustentabilidade.

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