Homem de 62 anos, hipertenso há 22 anos em uso de nifedipina retard 20 mg 8/8 horas, com episódios de Fibrilação Atrial aguda há seis meses, com ecocardiograma transesofágico e função
tireoidiana normais. Realizada cardioversão elétrica, anticoagulação por 90 dias e amiodarona
200 mg/dia. No último mês apresentando palpitações e perda ponderal de 6 kg. Ao exame físico:
FC= 116 bpm regular, tireoide de tamanho normal, indolor, consistência elástica, sem nódulos
palpáveis e tremores finos de extremidades. Exames: TSH = 0,02 mUI/L (VR = 0,4-4,0), T4 livre
= 2,62 ng/dl (VR = 0,8-1,7), Anti-TPO = 3,2 UI/ml (VR até 10), TRAb = 4% (VR até 10%).
Ultrassonografia de tireóide: volume tireoidiano normal e ausência de nódulos. Sobre a doença
tireoideana do caso é CORRETO afirmar que:
a) O resultado da cintilografia da tireóide demonstraria uma captação aumentada.
b) Há contra-indicação do uso de amiodarona por pelo menos 5 anos.
c) O tratamento recomendado é a introdução de glicocorticóide.
d) A suspensão da amiodarona melhorará o quadro clínico em poucos dias.
Alternativa C
A amiodarona é uma droga rica em iodo, amplamente utilizada em cardiologia clínica para o tratamento de arritmias cardíacas. O uso crônico da amiodarona está associado a uma série de efeitos colaterais, destacando-se entre eles alterações na função tireoidiana e no metabolismo dos hormônios tireoidianos, levando a indução de hipotireoidismo ou de tireotoxicose. Diversos mecanismos, incluindo distúrbios na auto-regulação tireoidiana em resposta ao excesso de iodo, fatores imunológicos e a citotoxicidade provocada pela droga, estão envolvidos na gênese da disfunção tireoidiana induzida pela amiodarona. Cerca de 50% dos indivíduos em uso crônico de amiodarona desenvolvem alguma anormalidade na função tireoidiana, o que ressalta a necessidade da monitoração das concentrações séricas dos hormônios tireoidianos e do TSH nestes pacientes.
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